O mapa da mina: Por quê os estilos de cerveja são a bússola do mestre cervejeiro
Aqui em Thessaloniki, quando entramos no "The Hoppy Pub", encaramos de frente suas imponentes 18 torneiras. Podemos ver a marca, os nomes criativos, o teor alcoólico e um detalhe crucial: o estilo da cerveja.
"Czech Pilsner", "Porter", "Helles Lager", "Italian Pilsner", "Quadruppel", "Hazy IPA", "Dark Lager", "Lambic", "American IPA"… a lista parece interminável. Mas esses estilos funcionam como um mapa. E como o mundo da cerveja está em constante evolução, esses mapas precisam ser constantemente atualizados. Com o lançamento do novo guia de estilos da "Brewers Association" na semana passada, temos o pretexto ideal para falar sobre por que os estilos existem e qual a sua real importância.
Uma foto aleatória do quadro negro com a informação das 18 torneiras do “The Hoppy Pub”.
Intenção vs. Expectativa
Quando a maioria das pessoas entra no bar, a única coisa que quer saber é se a cerveja é "boa". Mas "boa", nesse caso, é subjetivo. Não podemos cometer o erro de assumir que todos gostamos do mesmo. Um dos principais objetivos de categorizar as cervejas em estilos é preencher a lacuna entre a intenção do mestre cervejeiro e a expectativa do consumidor.
Com mais de 150 estilos catalogados, o "ser boa" é apenas o ponto de partida. Em nossas atividades corporativas na BrewVentures Beer Experiences, frequentemente surpreendemos convidados com estilos que eles nem imaginavam que existiam. Pessoas que dizem "eu não gosto de cerveja" costumam ser as candidatas perfeitas para se apaixonarem por uma Lambic, uma Flanders Red Ale ou outros estilos ácidos. O estilo é a chave para essa descoberta.
A perspectiva do Juiz
De um ponto de vista prático, os guias de estilos são a "bíblia" dos cervejeiros e o cerne das competições profissionais. Assim como eu, qualquer juiz do BJCP precisa deixar o gosto pessoal de lado. Devemos focar nossa atenção no que está descrito no guia. Não é sobre o que gostamos de beber, é sobre o quanto o cervejeiro conseguiu atingir os parâmetros técnicos daquele estilo.
História e Geografia no copo
Os guias de estilos não são aborrecidos como um Procedimento Operacional Padrão — POP (desculpem o meu jargão de cientista!). Embora a variação dentro de cada estilo possa ser ampla, os guias definem as fronteiras. Historicamente, a geografia era o fator principal. As pessoas produziam cervejas semelhantes porque compartilhavam a mesma água, os mesmos ingredientes, o mesmo clima e a mesma cultura. Os guias apenas agrupam essas variações locais, definindo onde um estilo começa e o outro termina.
A cápsula do tempo
Por último, a definição dos estilos funciona como uma eterna cápsula do tempo, evitando que cervejas históricas desapareçam. As tendências de mercado e o marketing podem tornar um estilo "hypado", fazendo com que outros caiam no esquecimento. Esses guias são os nossos cofres: eles guardam a caracterização sensorial e os processos que mantêm vivo cada estilo, esperando o momento em que voltaremos a eles.
Junte-se à resistência
Espero que agora você perceba que os estilos de cerveja são mais do que nomes em rótulos. Eles guiam competições, ajudam o consumidor a entender o que sai da torneira e protegem a biodiversidade da cerveja mundial.
Da próxima vez que estiver no seu bar favorito, observe quantos estilos você consegue reconhecer. Se tiver dúvidas, a pessoa atrás do balcão é sua melhor amiga. Mas, se estiver em Thessaloniki, junte-se à nossa ThessVentures Beer Experience! Vamos ajudar você a decodificar as torneiras e descobrir a incrível variedade da nossa cidade.
Saúde! 🍻